quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Novinho em folha




Nada de retrospectivas públicas. Eu faço a minha, sim. No primeiro dia de cada ano, escrevo uma carta para mim mesma jogando na minha própria cara tudo o que eu aprontei no ano anterior. Não é um exercício pura e simplesmente masoquista. Afinal, ora essa, eu também apronto coisas boas. Ainda mais em 2009, que eu estava no auge da minha adolescência (treze + treze). Foram tantas horinhas de descuidos, que juntas renderam dias, que juntos renderam semanas, que juntas renderam meses. Fui muito feliz. Apesar de momentos de tristezas profundas, afinal, a vida é assim. Promessas para o ano que vem? Não ouso mais. Pra quê assinar um atestado de frustração? Não me prometo coisas que eu sei que eu não vou cumprir. Os acontecimentos mais legais são mesmo os imprevisíveis. Mas chega de chover no molhado (já não basta a chuvinha irritante que cai lá fora). Tudo o que eu estou dizendo vocês já sabem. Como sabem também que a virada do ano nada mais é que o recomeço da Terra em sua rota de translação. O chato é que a Terra, coitada, tem sempre que seguir a mesma rota. Já nós, humanos, ganhamos a chance de fazer diferente. O ano novo está em branco. Se nada ainda foi feito, por que fazer errado de novo?


* Essa coisa preciosa da foto foi um dos melhores presentes que já ganhei, não apenas em 2009, mas na vida. Meu primo e afilhado. Lindo, fofo, cheiroso, cheio de barulhinhos gostosos: Bernardo!


sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Amigo Oculto # 4

Modalidade: convencional e tradicional dos Pinhos (maior marmelada, todo mundo tira parente).




Fernando diz: "eu tirei a pessoa mais pé frio da família". Sim, era eu. E, claro, era uma piada, pois a minha fama é a de ser a mais sortuda entre todos os Pinhos. E sou mesmo, vocês sabem (quem não sabe, talvez um dia eu conte meus casos de sorte aqui. Ou não, pode dar zica).




E eu tirei Karina. A única da família que esqueceu de crescer. Olha como o mundo dá voltas: essa menina já foi mais alta que eu (Manja o freezer patrocinado pela Skol. Ai, eu amo a minha família).

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Amigo Oculto # 3

Modalidade: convencional entre amigos.



Nesse aí eu tirei o meu praticamente-irmão Felipe (na cabeceira da mesa, de rosa). E quem me tirou foi minha grande amiga Caly (ao lado direito do Felipe). Caly não precisava me dar nada pois ela já dividiu comigo todos esses amigos aí. Mesmo assim ganhei coisas muitos fofas e guloseimas. Deve ser triste a vida de quem não tem amigos, né?

domingo, 20 de dezembro de 2009

Amigo Oculto # 2

Modalidade: virtual-titânico.
Como funciona: como os participantes são grandes amigos que moram em diferentes lugares do Brasil (Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Ceará e Pernambuco), o sorteio foi feito por um site e cada um enviou - à sua maneira - o presente para seu amigo oculto.


Essas são minhas amigas ocultas (e de verdade também). A de roxo é a Brunita, que vive em Águas de Chapecó-SC. Meu coraçãozinho quase parou quando recebi o e-mail informando que eu havia tirado essa fadinha que eu tanto amo. E a de flores é a carioquíssima Chris (ou seria Chrix?), que me sorteou. Fiquei feliz demais quando recebi o presente que ela me mandou. Outra querida do meu coração.



Olha aí o presente que a Chris me deu! Sim, literatura de vampiro é minha mais nova mania. Já estou sugando as páginas.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Amigo Oculto # 1

Modalidade: todo mundo dá para todo mundo.
Como funciona: todos os participantes presenteiam todos os outros.



Os presentinhos, antes da entrega. Claro que, para essa modalidade, tinham que ser "presentinhos". Principalmente, levando-se em conta que 62% da população desse Amigo Oculto era formada por profissionais da comunicação.




Todos felizes com seus presentes personalizados. A gente se conhece MESMO!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Lista de final de ano





Fim de ano é assim. As pessoas fazem listas de compras, listas de pedidos para o Papai Noel, listas de resoluções para o ano novo, listas de retrospectiva do ano velho. Eu não vou fazer nada disso. Já comprei tudo o que eu tinha que comprar. Não acredito em Papai Noel (vide post do dia 4 de dezembro). Não prometo nada que eu não possa cumprir. E o que passou, já era. No fim de 2009, apenas uma lista: a lista negra. Com o nome das pessoas que estarão sumariamente banidas da minha vida em 2010. A caça às bruxas já começou.










p.s.: não estou com ódio de ninguém, não. Apenas me amando demais.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Caso de ano novo




Então, com a chegada de dezembro, todo mundo fica meio nostálgico. Lembranças do ano que está acabando e lembranças de outras festas de fim de ano. Nessa época, eu, por exemplo, sempre me recordo da maldição do tênis branco.
A maldição do tênis branco foi inaugurada há exatos vinte anos, na passagem do ano de 1989 para 1990, quando eu vivia os sabores e dissabores dos seis anos de idade. Como uma boa família mineira, naquele ano, como em tantos outros, eu e meus familiares viajamos para passar o reveillon em alguma praia do Espírito Santo. Até onde me recordo, ceiaríamos em algum restaurante da orla mas, antes, assistiríamos à queima de fogos que acontecia na praia. Eu estava toda serelepe, vestida inteiramente de branquinho e usando, pela primeira vez, o lindo All Star de cano alto branco com estrelinhas rosa, que eu havia ganhado naquele Natal. Cerca de meia hora antes da virada, porém, ploft. Eu dei o maior pisão em um cocô. Um cocô humano para piorar, e muito, minha situação. Minha mãe tentou contornar o estrago, esfragando meu pé no meio-fio, na areia. Mas nada resolveu muito porque eu já estava impregnada com aquele odor. E, bom, a sinceridade das crianças pode ser muito cruel, às vezes. Meus primos não me pouparam. Começaram a rir da minha cara, a apontar pro meu pé, a falar comigo apenas com os narizes devidamente tampados. Eu, claro, já estava quase explodindo de vontade de chorar, mas não podia (meu pai proibia choro). Minha, muito boa, como sempre, ficou com dó de mim e me levou de volta para a casa. Passamos o reveillon sozinhas, assistindo E.T (é, o filme do Spielberg) na televisão e o tênis de molho no tanque.

Anos mais tarde, não estou muito certa da data, mas acho que eu tinha treze anos, ganhei um outro tênis branco no Natal. Claro, fui com ele à festa de Ano Novo, afinal, o caso do cocô havia sido apenas uma fatalidade. Sem falar que, naquele ano, a festa da família não seria na praia e, sim, em Belo Horizonte, na casa da minha tia, onde não há grama, mato, cachorro, nem pessoas com o hábito de fazer suas necessidades no chão. Ou seja, não existia a menor chance de alguma coisa batizar meu tênis novamente. Estávamos lá, eu e meus primos, conversando felizes. Quando, por algum motivo que até hoje eu não consigo entender, um vizinho deliquente tem a brilhante ideia de lançar ao ar uma manga gigante e podre. Pois é. No reveillon é assim. Tem gente que solta fogos, tem gente que joga confete, serpentina e champanhe e tem gente que joga manga podre. Naturalmente, havia muitas pessoas na festa. Mas, mais naturalmente ainda, antes de cumprir sua trajetória até o chão a manga fez um rasante pela minha roupa e terminou explondindo, literalmente aos meus pés.

Eu e minha eterna sina de ser sorteada (pelo menos é uma regra que vale para coisas boas também).

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Caso de natal




- É, Fernanda, ele não existe.


Foi assim, com essa frase fria, áspera e deveras desaforada que duas primas minhas me contaram a verdade. Sem medir as palavras e as consequências me revelaram, numa noite chuvosa, típica das que precedem o natal, que o Papai Noel era uma farsa.

Não chorei, não questionei. Apenas quis ficar sozinha, como faço até hoje quando me sinto angustiada. Sim, não é exagero dizer que fiquei angustiada. Fiquei, e muito. Eu que, até aquele momento só havia sentindo algo semelhante apenas uma vez – na ocasião em que descobri que a Vovó Mafalda era homem – via mais um mito desmoronar.

É verdade que, desde que o bom velhinho havia visitado o Jardim de Infância onde eu estudava, no ano anterior, nosso relacionamento não estava lá, essas mil maravilhas. Eu aguardei ansiosamente pelo momento daquele encontro e soube esperar, resignada com a condição de última da fila – oh sina de ser a maior da turma desde criança. Eu só não imaginava que, quando finalmente, chegasse minha vez, Papai Noel estivesse todo amarrotado, suado, nervoso, dando beliscão – provavelmente aflito para ir ao banheiro, fumar, ou qualquer outra atividade, nada lúdica. Nem que eu receberia uma lembrancinha toda campenga, faltando o lacinho, e sem a possibilidade de troca, afinal era a última do saco. E eu que achava que ver Papai Noel de saco cheio era coisa boa, voltei para a casa chateada. Mas meus pais – sempre eles – me fizeram compreender que a culpa não era dele. E sim, das tradicionais filas brasileiras que não poupam problemas nem para velhinhos vindos de outras dimensões.

No fim das contas, não foi nada que abalasse o encanto por aquela figura que havia me presenteado com a Boneca da Xuxa! Só eu tinha a Boneca da Xuxa em todo o Jardim! Nem a Mariana tinha! Ah, ele devia gostar mesmo de mim. E o fogãozinho que acendia de verdade? Todas as minhas vizinhas queriam um daqueles. E eu tinha dois! Ganhei no mesmo dia, um da minha madrinha, outro do Papai Noel. Isso eu não entendi. Se o bom velhinho tudo pode, por que ele não adivinhou que a madrinha me daria esse brinquedo e trocou de presente? Mas tudo bem, de certo estava muito ocupado preparando suas renas para a longa jornada natalina. Também não entendi como ele conseguiu entrar pela janela do meu quarto com a minha bicicleta rosa. Mas conseguiu, ela estava lá, atrás da porta, em cima do meu sapatinho. Vai ver ele também é usuário de pílulas de nanicolina, tal como o Chapolin.

Fiquei um bom tempo assim, imersa em minhas lembranças que se misturavam com a frase cortante das primas iconoclastas, "Ele não existe", e com as revelações que vieram logo em seguida: "É o seu pai quem compra seus presentes", "Quem guarda a cartinha que você deixa na janela é a Tia Léia. Não tem duende nenhum que vem buscar".

Meus devaneios foram interrompidos com a repentina entrada de meus pais em meu quarto. Me vendo cabisbaixa, no canto da cama, questionaram "O quê aconteceu, Nanda?". "Aconteceu que eu descobri que eu estou sendo enganada há CINCO anos. Tem CINCO anos que eu mando cartinhas para aquele velho babão e agora eu soube que ele não existe!", mas isso eu não disse, eu só pensei. Pensei também que, talvez, a descoberta da verdade implicasse, automaticamente, no fim das regalias natalinas, e não querendo arriscar o salão de beleza da Barbie que eu havia pedido para aquele ano, respondi displicentemente. "Nada, não. Estou só pensando se o Papai Noel já recebeu minha cartinha".

p.s.: Esse texto é velho e já foi publicado no meu ex-blog, em 2006. Mas eu publiquei de novo porque...eu quis!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Nunca vi nem comi, eu só ouço falar




Simplicidade é o último nível de sofisticação. Bonita a frase, não? Pena que não é minha. É do Leonardo da Vinci. Não sei dizer ao certo a que ele se referia quando a pronunciou, creio que não era sobre comida. Mas poderia ser. Me lembro bem de duas ocasiões na minha vida nas quais eu teria trocado qualquer coisa por um bom prato de arroz, feijão, bife e batata. Na primeira, eu era muito nova e idiota, e fui a um restaurante de comida japonesa com um namorado. Ele, toda felizão, pois era sua comida favorita. Eu, toda tensa, pois nem sabia manusear hashi. Me lembro de vê-lo enchendo o prato daquelas coisas todas que até hoje não sei o nome - pois deixei de ser idiota, mas continuo odiando comida japonesa - e eu fazendo o mesmo. Pelo puro e simples prazer de agradar o outro. Pedi uma Coca - saquê já seria demais - e pensei que facilmente colocaria tudo aquilo pra dentro. Mas quem disse? Até hoje eu me lembro da sensação de eu mastigando aquelas coisas frias e sem gosto, a garganta fechada, a mandíbula doendo de tanto mastigar, o olho cheio d'água. Sério. Se você gosta de comida japonesa, se imagine sentado numa mesa mastigando terra e entenderá a minha situação. Horrível elevado à milionésima potência, com o agravante de que eu estava morrendo de fome. Enfim, depois de muito custo engoli uns três sushis e falei que estava cheia. Bom para meu acompanhante que, sem o menor sinal de ter percebido meu mal estar, comeu o que eu tinha deixado no prato.

Algum tempo depois, fui jantar na casa de uma amiga da minha mãe. Uma madame afetada, com mania de sofisticação. De entrada, ela serviu caviar. Eu nunca havia comido e, para falar a verdade, não achei assim tão horrível muito menos tão gostoso. Prefiro mil vezes coxinha. Mas deu para suportar. O pior foi o jantar em si. Um trouxinha, amarrada com uma fitinha, boiando num caldo azul claro (que até hoje eu não sei se era parte da receita ou se ficou azul por conta de um acidente - a la Bridget Jones). Não tive coragem e tive de dispensar. Claro! Eu odeio azul até para roupas, como vou COMER uma coisa azul? Constragida e não querendo me deixar sem jantar, a anfitriã me ofereceu carne de javali. Bem melhor que a coisa flutuante. Tirando carne de cobra e de cachorro, as outras eu aceito bem, embora o que realmente me faça feliz seja bife de boi, fígado de boi e picanha.

Com o passar do tempo eu fui aprendendo a respeitar um pouco mais a alta gastronomia e a me comportar melhor em jantares mais requintados, digamos assim. Mas quando tenho a oportunidade de escolher, eu fico mesmo é com o feijão tropeiro. Como em café da manhã de hotel. Pode ter um milhão de quitutes, eu sempre vou comer pão de queijo.

E quando eu tenho a opção de dispensar, eu dispenso. Como no coquetel que eu fui um dia desses. A cada dois minutos, um garçom aparecia me oferecendo uma tacinha com sorvete de manjericão com presunto de Parma. Gente, alguém precisa avisar pra esse povo que manjericão e presunto de Parma são ingredientes de pizza e não de sorvete!

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A foto é de um Boeuf à la Bourguignonne, que foi a receita que demos numa matéria que fiz sobre gastronomia francesa (leia aqui). Trocando em miúdos: músculo bovino com legumes. Mas pra quê simplificar se você pode complicar, não é mesmo?

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Mais uma de criança

Acontece comigo e acredito que com todo mundo. Vira e mexe aparece alguém que, voluntariamente ou não, faz com que a gente se sinta o pior de todos os mortais, um lixo humano, um zero à esquerda. É quando a gente se questiona: será que essa vida aqui vale a pena?


E a resposta não vem cheia de pompa em momentos grandiosos. Acontece em pequenos detalhes que, se não estivermos atentos, deixamos passar. Ontem eu tive a felicidade de perceber um desses detalhes na minha vida.

Como já foi amplamente divulgado pela imprensa mundial eu sou fã de girafas (sim, o animal). O que naturalmente leva as pessoas que fazem parte da minha vida a me presentearem com objetos de girafa, de vez em quando.

Ontem eu ganhei mais um item para minha modesta coleção.

Dudu, meu primo de quatro anos, revirou a mochila que ele leva para o jardim e tirou a minúscula girafinha de plástico, branca, porém bem sujinha. E me entregou.

- Ah, Dudu, você também tem uma Cecilinha!*.
- Não é minha. É para você. Eu escondi de todo mundo para te dar. Você que gosta.

É. Fiquei abalada, com a girafinha na mão, querendo chorar. O que interessa em todo e qualquer presente é a intenção. Por esse motivo eu gosto de tudo o que eu ganho, porque imagino a boa vontade da pessoa que me deu, por trás daquilo (mesmo que seja uma roupa que eu nunca vá usar).

E imaginar a boa vontade de uma criança de quatro anos que, do nada, se lembrou de mim, se lembrou que eu gosto de girafa e resolveu, por conta própria, guardar aquela para mim me faz entender que, sim, vale muito a pena.

E quando eu estava indo embora, ele foi atrás de mim até a rua e gritou:

- Cuidado pra não perder a Cecilinha, hein?

Se eu já tinha contado para ele que eu gosto de girafas? Claro que não. Criança não precisa ser avisada. Elas percebem as coisas sozinhas.




*Cecilinha é como nós dois chamamos as girafas. Ter uma piada interna com uma criança de quatro anos, não tem preço.
 
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