sexta-feira, 6 de novembro de 2009

que tudo se foda,










disse ela.















e se fodeu toda.







(p.l.)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Dando uma vividinha por aí...



REECONTRANDO a FGE, em formação original, depois de cinco anos. O importante é ainda achar graça nas mesmas piadas. [30 de outubro de 2009]



TENTANDO convencê-lo de que meu problema não é a insegurança. O importante é que ele nunca se esquece de nada. [30 de outubro de 2009]



LEVANDO Sá Luz e amigos, paulistanos, para conhecer meu lugar preferido de BH, a Praça do Papa. O importante é que a chuva para quando a gente precisa de um céu azul para posar com a Serra do Curral. [31 de outubro de 2009]


BATIZANDO Bernardo, enquanto ele, alheio, se distraia com a pulseira. O importante é que ele é lindo como a madrinha (ha, ha, ha). [1º de novembro de 2009]

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Belo Horizonte, outubro de 2009




Querido,





em primeiro lugar, já peço desculpas pela minha falta de tato. É que faz mais de dez anos que não escrevo nenhuma carta. Carta de amor então, bom, carta de amor eu não escrevo há 26. E, ao fim desta que escrevo agora, continuarei sem ter quebrado o jejum que dura toda a minha vida. No mundo das cartas, querer ser carta de amor é como querer ser rei ou rainha no mundo dos humanos. E esse meu bilhete mal escrito não pretende tanto. Embora ele esteja salvo no meu Bloco de Notas com o nome de "cartadeamor". Sorte a sua é que a tecnologia te poupa da minha caligrafia torta, você teria dificuldade em conseguir decifrar as palavras. Dessa forma, ao menos isso é garantido. Você conseguirá distinguir as palavras que agora ordeno. Só não sei se entenderá o que elas querem dizer juntas e organizadas nessa disposição. Para ser bem sincera, sem querer te ofender nem nada, eu acho que você não entenderá. Ou pior: você fingirá que não entendeu. Você faz isso o tempo todo. Desde que a gente se conhece. Eu não sei o que pode ser mais grave: ser um lerdo que não capta nada ou ser um fingido. Você pode ser as duas coisas, se quiser. Porque eu não me importo. Aliás, se você fosse as duas coisas estaria me fazendo um grande favor. Eu preciso reconhecer seus defeitos com urgência. Quem sabe assim eu não caio na real. O encanto pode se quebrar, sei lá. Se é que isso é possível. Não se trata de uma paixão cega. Eu não falo para minhas amigas que você é lindo porque, definitivamente, você não é. Percebe a danação? Eu consigo listar pelo menos uns 30 homens que eu conheço que são mais bonitos que você e - dane-se todos eles - eu gosto é de você! Isso me assusta. Me faz pensar que talvez não exista encanto nenhum a ser quebrado. Talvez eu esteja falando de algo intacto que nasceu assim e assim ficará para sempre. Ou até eu explodir de agonia. Sejamos francos. Eu não preciso de você e você sabe disso. Nós não temos a mesma profissão. Minha vida é muito mais divertida que a sua. Eu tenho muito mais amigos. Até feliz eu consigo ser. E muito. Não há nada em que você possa me ajudar. Mas eu quero você. Mesmo sem precisar. Vício é assim. Por que eu não lhe sou direta? Porque, infelizmente, não é assim que deve ser. Os homens, em pleno 2009, ainda não estão preparados para serem conquistados. Eu teria coragem para isso. Mas sei que você não teria coragem para suportar. Você escorregaria, como você sempre faz. Gentilmente, me mantendo por perto. Eu sei como é. Talvez eu seja sua última carta. Você me guarda na manga para o caso de dar tudo é errado. Se é assim: tome nota. Quando der tudo errado você vai olhar para sua única vida, que é essa que estamos vivendo agora, sem depois, e perceber que não saiu do lugar, como um cachorrinho fadado a perseguir o próprio rabo eternamente. Você vai juntar uns versos meus espalhados por aí e perceber - sim, você vai perceber, você não é burro - quanta vida deixou de viver, quanto amor abriu mão de receber, quantas gargalhadas de arrancar lágrimas você deixou de dar (modéstia à parte, isso eu faço bem). Não estou te praguejando. As palavras é que teimam sair amargas, por mais que as intenções sejam doces. Como eu desejaria mal ao único homem do planeta que teria meu "sim" absoluto, independente de qual fosse pergunta? (Veja bem, você vive no mesmo planeta que o Jhonny Depp, isso é grande coisa). Talvez eu devesse tentar uma rota de fuga. Mas como se você é a própria fuga? Mas como se é ao lugar do meu coração onde você mora que eu recorro cada vez que tudo dá errado? Pois é. Você também é minha última carta. E se eu jogasse baralho, faria um trocadilho incrível envolvendo zap e sete de copas. Mas eu não entendo nada de jogos. Não sei cozinhar. Não sei nadar. E os únicos desenhos que eu faço são aqueles bonequinhos de bolinha e pauzinho. E são tantos outros defeitos que se eu te contasse agora você correria de mim mais do que já corre. E tenho algumas qualidades também. Sendo que a mais relevante delas, diz respeito a você: a capacidade de te devotar todo o meu amor.




Sem mais para o momento.





F.P.B




p.s.: queridinhos. Meu blog não é exatamente um diário. O que significa que nem tudo o que eu escrevo aqui corresponde à realidade. Talvez esse post seja um exemplo disso. Talvez.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem?*







Tenho duas lembranças muito marcantes de puxões de orelha recorrentes em minha infância. Um vinha do meu pai, toda vez que me flagrava assistindo televisão com a cabeça quase grudada na tela. "Quando você ficar adulta e com a visão prejudicada vai se arrepender disso".


O outro vinha da minha mãe e tinha a ver com minha alimentação nada saudável (tema preferido por dez entre dez mães). "Quando você ficar adulta, vai ter nojo dessas porcarias e aprender a importância de um bom prato de verduras". Eu nem respondia, só pensava: "Vê lá. Quando eu ganhar meu primeiro salário vou comprar tudo em Fandangos".


Hoje, com 26 anos e quatro graus de miopia em cada olho, acho que talvez eu devesse ter ouvido meu pai. Ou talvez eu pudesse ter optado por "gastar" minhas vistas com algo mais útil. E não com Malhação e MTV, por exemplo. Eu amava Malhação e MTV. AMAVA. E, hoje, não consigo assitir nem dois minutos e entendo: não é que tudo tenha virado um grande lixo. Talvez sempre tenha sido um grande lixo. A diferença é que eu cresci. Afinal, ainda existem pessoas que amam Malhação e MTV, da mesma forma que a minha prima de cinco anos idolatra a Xuxa - que anda tão patética, para mim - com a mesma intensidade com a qual eu a idolatrava vinte anos atrás. Cresci, mesmo. E percebo isso não só quando não consigo ficar parada diante da televisão. Mas, principalmente, quando preciso emitir notas fiscais, declarar imposto de renda e fazer exames preventivos femininos. Minha agenda deixa evidente quão adulta eu me tornei. Sempre tive agendas. As de antes, eram para anotar as datas de aniversário dos amigos e deixar que eles me escrevessem mensagens (e também para guardar papel de bombom, guardanapo e outras relíquias que atraiam formigas para o guarda-roupas). As de hoje, são para anotar horários de reuniões, entrevistas e dias de pagar a fatura do cartão de crédito e outras dívidas. E eu que pensava que, quando adulta, poderia fazer o que quisesse da vida. É que me avisaram que quando a gente cresce as vistas podem ficar prejudicadas, mas deixaram de me avisar sobre outras coisas. Ninguém me falou que, no fim da história, nem sempre o príncipe fica com a princesa. Ninguém me falou que meu pai não era um super-herói. Ninguém me falou que a gente pode até fazer o que quiser, desde que agrademos a todos. O impossível.


Mas, sabe, nem tudo está perdido. Quem falou que só porque eu sou adulta eu gosto de verduras? Deus me livre! Não cheguei ao absurdo de gastar todo o meu primeiro salário em Fandangos. É que, na verdade, depois de uns tempos passei a gostar mais daqueles mais baratinhos, que parecem isopor. Hummm. Delícia! A alegria num pacotão de setenta centavos. E maria-mole? E paçoca? E algodão doce? E pipoca? E maçã do amor? E brigadeiro? E pirulito da Chiquinha? E guarda-chuva de chocolate? Mas nem que eu viva mil anos eu vou preferir salmão, salpicão e salada às minhas guloseimas. Nem que depois eu tenha que ingerir litros de chá verde para aliviar a consciência da adulta neurótica. Como também nunca vou trocar minhas calcinhas de cerejinha, estrelinha, florzinha, coraçãozinho por lingerie de renda vermelha. Doa a quem doer. E, quando casar, talvez deva negociar com o marido um lugar na cama para minhas girafas de pelúcia. E entre as reuniões e entrevistas devidamente registradas em minha agenda estão também os compromissos com os amigos: os dias de festa à fantasia, os dias de karaokê, os dias de festa surpresa, os dias de Imagem & Ação, os dias de ir ao parque Guanabara. Para novembro, por exemplo, já tenho dois compromissos muito importantes. Dia 13: coquetel de lançamento de um projeto que encabecei. Muito adulto. Dia 20: lançamento mundial do filme Lua Nova, da série Crepúsculo. Muito adolescente. Afinal, é uma agenda de compromissos. Mas ela é cor de rosa, tem gliter e adesivos.


Acho assim mais legal. Esse negócio de não amadurecer nunca é meio doentio. E amadurecer demais é de uma monotonia irritante.


*Então, respondendo à pergunta de Confúcio, que chegou a mim pela minha amiga Calypso, acho que minha idade seria 15 anos se eu não soubesse quantos anos tenho. Uma boa média.
** Sim, esse neném da foto sou eu. E, sim, eu tinha a cabeça amassada.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

"Vai ter uma festa,que eu vou dançar
até o sapato pedir pra parar.


Aí eu paro, tiro o sapato
e danço o resto da vida" - Chacal



* Os números são chatos.Ok. E qual é a novidade? A novidade é que acho que estou sofrendo de uma certa dislexia numérica. Um dia sim e outro também tenho confundido algum número em suas mais variadas aplicações. Número de telefone, de endereço, de CNPJ, de conta no banco, de senha disso, de senha daquilo, de valor. Até data que, supostamente era o tipo de informação que eu conseguia armazenar sem falhas, tenho confundido. O que me alivia é que não é nada tão grave, pois não confundo o número toooodo. Normalmente é só um algarismozinho lá no meio do telefone. E é aí que eu volto no início da conversa. Se fosse uma frase e eu errasse uma palavrinha lá no meio, beleza, ela continuaria entendível pelo contexto. Mas número, não! Número não tem contexto. Errei um, errei todos. Chatíssimos, miseráveis!


* Os números são chatos e as pessoas gostam de sofrer. Será que é por falta de maiores problemas na vida que tem gente que perde taaanta energia se desgastando por causa do horário de verão? É um tal de "meu relógio biológico não se acostuma"; "eu durmo mais tarde e acordo mais cedo". Oi??? Que relógio biológico o quê. Isso é mania de reclamação. É apenas uma hora de diferença e o dia continua a ter todas as 24 habituais. Só relevo reclamação dos acreanos, que em tempos de horário de verão assistem ao Jornal Nacional às seis da tarde.


* Os números são chatos, as pessoas gostam de sofrer e o Maneco pirou de vez. Sou noveleira e não vejo porquê negar. Não me mata, nem me fortalece, apenas me distrai. Mas está difícil viver a vida com Manoel Carlos. Definitivamente ele perdeu a mão. O cotidiano que ele cria só existe num mundo parelelo. Seus diálogos, com intenção de serem realistas, são surrealistas! Alguém avisa pra esse homem, pelo amor de Deus, que mulheres quando se juntam não falam apenas sobre sexo!!!! Outro dia, uma das ricas-que-não-faz-nada-da-vida, contava para as amigas, às gargalhadas, que achou o máximo ter sonhando que o marido transava com a prima em pleno pregão da Bolsa de Valores. Hein??? E o diálogo bizarro: "Chama sua irmã pra dançar salsa com a gente". "Ela não pode dançar salsa porque ela é virgem". Mas até eu que não sou uma novelista com salário milionário sei que essa frase faz tanto sentido quanto "adoro chocolate porque o cachorro fugiu". Está decidido! Vou parar de ver essa novela antes que eu morra de vergonha alheia.


* Os números são chatos, as pessoas gostam de sofrer, o Maneco pirou de vez e o Gael é lindo. Finalmente, depois de começar cinco vezes, consegui assistir "Ensaio Sobre a Cegueira" até o fim. Melhor cena de todas: Gael Maravilhoso García Lindo Bernal cantando "I just called, to say I love you...", no melhor estilo Stevie Wonder. Sensacional.

* Os números são chatos, as pessoas gostam de sofrer, o Maneco pirou de vez, o Gael é lindo e amanhã eu vou num baile. E vou dançar até meu salto quebrar. E quando o salto quebrar eu fico descalça e danço a noite inteira. Quem sabe numa dessas sacudidas eu deixo escapar para fora de mim a razão de minha agonia?

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Entreposts

Si es cuestion de confesar

No sé preparar cafe
Y no entiendo de futbol

Creo que alguna vez fui infiel
Juego mal hasta el parkés
Y jamás uso reloj

Y para ser más franca
Nadie piensa en ti como lo hago yo
Aúnque te dé lo mismo

Si es cuestion de confesar
Nunca duermo antes de diez
Ni me baño los domingos

La verdad es que también
Lloro una vez al més
Sobre todo cuando hay frío

Conmigo nada es fácil
Ya debes saber, me conoces bién
Y sin ti todo es tan aburrido

El cielo está cansado
Ya de ver la lluvia caer
Y cada día que pasa
Es uno más parecido a ayer
No encuentro forma alguna de olvidarte
Porque seguir amandote es inevitable

Siempre supe que es mejor
Cuando hay que hablar de dos
Empezar por uno mismo

Ya sabrás la situación
Aqui todo está peor
Pero al menos aún respiro

No tienes que decirlo
No vas a volver, te conozco bién
Ya buscaré que hacer conmigo

El cielo está cansado
Ya de ver la lluvia caer
Y cada día que pasa
Es uno más parecido a ayer
No encuentro forma alguna de olvidarte
Porque seguir amandote es inevitable

Siempre supe que es mejor
Cuando hay que hablar de dos
Empezar por uno mismo

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Budapeste

Houve um questionamento que nunca havia passado pela minha cabeça até eu ler Budapeste*, do Chico, e que voltei a remoer mais intensamente agora que vi o filme. Bom. Adianto para os céticos em relação aos filmes baseados em livros. Mas adianto também que tudo o que fala sobre palavras tem a tendência a me ganhar. Eu já gostava do filme antes de vê-lo, portanto.


Para quem não sabe, trata-se da história de um homem que se apaixona pelo idioma húngaro. E, nele, até consegue escrever poesias. Coisa que nunca havia feito em português. Aí é que tá! O que arrebata a gente são as palavras ou a língua? Eu gostaria tanto de ler e escrever se fosse uma russa, falando em russo e tendo sido alfabetizada em russo? Alguma coisa me diz que não exatamente. Um idioma muda tudo. Imagine ler Luis Fernando Veríssimo em alemão! Não, isso não existe. Alemão é gutural demais para a leveza das palavras de Veríssimo. Assim como espanhol é dramático demais para qualquer coisa. Eu, aliás, quando estou achando um filme muito monótono logo mudo a legenda para o espanhol. Em cinco minutos já estou chorando. O que me faz acreditar que se minha língua-mãe fosse espanhol eu seria uma escritora e uma leitora muito mais voraz. Eu amo português, mas espanhol é o meu húngaro.

Budapeste fala ainda da angustia de ser um ghost-writer, profissão do homem que se apaixona pelo húngaro. Eu fiz, e faço, muitos trabalhos como ghost-writer e não sofro nada por isso. Tudo o que faz parte da nossa vida são coisas fabricadas por outras pessoas. Não vou ficar morrendo se tem gente usando textos fabricados por mim. Fico é feliz e lisonjeada por conseguir fazer alguma coisa nessa vida pela qual alguém queira pagar. No fim das contas (literalmente), é disso que a gente vai precisar. No entanto, só tenho esse desprendimento com meus textos que são fabricados. Sob encomenda e, normalmente, sobre assuntos que não me interessam nem um pouco. São palavras que saem de uma parte muito superficial de mim e nada dizem a meu respeito. Agora, quanto aos textos que são sentidos - e não fabricados - morro de ciúmes. Não que eles sejam geniais. Não mesmo. São coisas como essas porcarias que vocês leem aqui no blog. Mas são as minhas porcarias. Que saem da minhas Fossa das Marianas** interna. E, por essas, eu jamais aceitaria ver outra pessoa levando o crédito. Graças a Deus que ninguém tem interesse nisso mesmo. Uma cena que me corta o coração em Budapeste é a do gosth-writer no lançamento de um livro que ele escreveu com sua alma e, obviamente, é assinado por um poeta famoso. Além da angústia do sucesso fantasma, ainda tem que levar para a casa uma dedicatória do "autor": "Para você, essas despretensiosas palavras".



* Lili, eu não roubei seu livro, eu juro. Ele continua intacto, limpinho e sem nenhuma orelha, junto com o do Marçal.
** Para quem zerou em Geografia, Fossa das Marianas é o ponto mais profundo dos oceanos.

domingo, 18 de outubro de 2009

Blueberry pie

E aconteceu que horas depois de parir o post anterior, eu assisti a esse filme (cujo encarte - logo abaixo da não-recomendação para menores de 10 anos avisa: filme sobre a idealização do amor):




E eu cheguei à conclusão de que talvez eu não seja uma frigideira. Talvez eu seja uma torta de mirtilo. Que é boa e tal, mas ninguém escolhe.



Eu avisei que ficaria chata.

sábado, 17 de outubro de 2009

Se aproveitam da minha nobreza

Quando penso que não, lá está ele a reclamar dos buracos na zaga de seu time, a me pedir opinião sobre o motor do carro que está com um barulho estranho, e – veja bem! – a falar mal das ex-namoradas. Fala na maior naturalidade, buscando uma certa cumplicidade, sincera até. Ousa a pontuar os assuntos com “porra”, “fodeu”, “casa do caralho” e demais expressões de baixo calão que não parecem apropriadas para serem ditas na frente de uma dama.


E, afinal de contas, por algum motivo que não sei qual é, parece que não sou mesmo uma dama.

Me abraça, me beija, me faz carinho. Verdade. Mas quando está a fim. Quando não está, não me trata mal. Muito pelo contrário. Me trata bem, me trata honestamente, me trata com verdade. Com aquela verdade com a qual os homens tratam seus melhores amigos. Só que eu não sou o melhor amigo dele. Ou, ao menos, não pretendia ser.

Mas, pelo visto, mais uma vez fiz o caminho sem volta da camaradagem. Tento me lembrar em que momento deixei transparecer que eu poderia ser chamada de “cabeção” e não de “meu amor”. Eu gosto de ser chamada de “cabeção”, reconheço. Mas por ele eu queria mesmo era ser chamada de “meu amor”. Queria que ele evitasse assuntos de futebol. Supondo que eu fosse implicar. Queria que ele evitasse falar sobre o motor do carro. Supondo que eu não entenderia nada. Queria que ele evitasse falar das ex-namoradas. Supondo que eu fosse sentir ciúmes.

Acontece que ele não supõe nada disso. Porque eu sou legal demais. Dou atenção e palpite para qualquer assunto, não demonstro ciúmes, não o chamo de “meu amor” e nem exijo ser chamada assim.

Ele é qualquer um dos que passaram em minha vida. Porque sempre fui assim. Sempre deixei em evidência uma figura que não se abala, que do alto de seu um metro e oitenta diz com orgulho que não depende de ninguém, que não está nem aí pra nada.

Mas, meu caro, chupa essa manga: é tudo uma farsa. Sempre chorei escondida por ser tratada como “o amigão”. Essa fortaleza é pura e simplesmente cenográfica. Aqui dentro mora uma mulherzinha sensível, morrendo de vontade de ser mimada. E só não demonstra isso por medo e insegurança. Bancar a fortona é muito mais fácil, mas também mais arriscado. Ninguém quer cuidar de alguém que não demonstra precisar de cuidado. Por isso todos eles caíram fora – TODOS. E por isso todos eles caíram fora, mas implorando minha amizade – TODOS*. (De bobos eles não tem nada. Quem não quer ter uma amiga legal assim?).

Já que esse texto é todo uma grande confissão, aí vai mais uma. Ele não tem fim. Estava parado, neste ponto, perdido no palheiro que são meus arquivos de Bloco de Notas. Não me lembro ao certo de quando o escrevi. Sei que hoje, mais uma vez remoendo esse assunto, me lembrei dele.

A quem interessar possa é basicamente isso mesmo. Sem metáforas ou entrelinhas. Pronto, já passei os últimos 26 anos selecionando meus amigos e eu tenho um time completíssimo. Dentro do que EU chamo de amizade, não me falta mais nada. Me falta, sim, em outros aspectos. A ponto de - mesmo eu tendo passado os últimos 26 anos escolhendo os meus amigos e sendo escolhida por eles, e tendo feito apenas escolhas acertadíssimas - eu me sentir MUITO sozinha, na maioria das vezes. O que não é exatamente ruim. Eu gosto de estar sozinha, mas como diz seu Arnaldo: "eu gosto de ficar só, mas gosto mais de você".

Se é assim que tem que ser, assim será: não quero fazer novos amigos. NÃO QUERO E PONTO FINAL. E vou ser chata. Quer dizer, chatíssima. Insuportável. Do tipo pegajosa e grudenta. Porque eu acho que o tipo que eu faço não faz bem pros egos masculinos. E como eu não quero ficar sozinha eternamente e nem acreditar que eu seja uma panela sem tampa, uma frigideira (momento: citando eu mesma), sucumbirei.




*Quem já ouviu o ex desabafar com você que foi chifrado? Então. Eu contando ninguém acredita.
* E todos nem são tantos. Antes fosse. Assim eu teria mais amostragens para avaliar melhor o que há de errado.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Nós in Rio

[Prometo que nesse texto não mencionarei em momento algum o verso "O Rio de Janeiro continua lindo"]

Eu saí de casa na sexta-feira, às 16 horas, e cheguei ao Rio de Janeiro na madrugada de sábado, às 2h. E, bom, eu fui de avião. Mas por que me estressar com o fato de o aeroporto de Belo Horizonte ser em outro planeta e de ter caído uma chuva torrencial logo na hora de sair? Por que me estressar com o voo que atrasou 6 (SEIS) horas? Por que escolher ser infeliz se essa é a opção número dois? Era véspera de feriado, eu estava com amigos, e, principalmente, eu odeio esperar, mas meu ódio não chega a ser maior que meu pânico de voar. Prefiro aguardar mil horas a pegar uma turbulência. Mas nossos coleguinhas de voo não pareciam compreender que as atendentes da Gol não podiam simplesmente telefonar para São Pedro e solicitar o cancelamento da chuva no Rio. Se digladiavam como feras, urravam, socavam as portas de vidro. Às mocinhas da Gol, coitadas, só restou sentar e chorar (literalmente). Fiquei com pena. Delas e dos passageiros que deixavam aflorar os mais primitivos instintos humanos. Pessoas ignorantes sempre me dão pena. Embarcamos, enfim. E eu morrendo de medo daquela energia negativa derrubar o avião (eu acredito em cada coisa...).


E por que achar ruim que - mesmo depois das seis horas de espera - tivemos que engolir os quatro biscoitos e o refrigerante quente da companhia se, ao chegarmos no Rio, uma lasanha, um pudim e um pavê nos esperavam ansiosos?

E pra quê ficar reclamando que o dia estava nublado, no sábado, se podíamos muito bem trocar a praia por uma via-sacra de bar em bar em Ipanema? O restaurante mexicano era um charme. Embora comida do México não seja das minhas preferidas (não aceito misturar abacate com coisas salgadas). O boteco me lembrou o Bolão e eu gostei (mas eu prefiro o Bolão). E o pub tinha doces incríveis. Embora, no cardápio também existisse, entre as sobremesas, a opção "goiabada com catupiry". O que parece existir em TODOS os restaurantes do Rio. Perdão, cariocas, mas para meu estômago é quase tão inconcebível quanto o abacate com feijão (guacamole com burritos, na minha visão simplista das coisas). No fim das contas, aprovamos todos os bares e, como mineiros, temos autoridade para isso. Assim como os cariocas tem autoridade para falar de samba.

A visita à quadra do Salgueiro, em noite de eleição do enredo, foi uma experiência antropológica. Nunca vi um lugar tão democrático em toda a minha vida. Nem tão lotado. Mas valia a pena superar o calor e o empurra-empurra para ver a bateria do Salgueiro (aka Furiosa) tocar. Emocionante, para mim, salgueirense desde criança.

Na noite seguinte, mais samba. Dessa vez, na Lapa. Bairro que eu escolheria para viver caso um dia tivesse que viver no Rio de Janeiro. Antes, porém, um dia inteiro de sol e biscoitos Globo em Ipanema. E pra quê me sentir mal com todas aquelas mulheres exibindo corpos perfeitamente esculpidos em academias se eu moro mesmo é aqui em BH? (sério, eu raramente vejo por aqui mulheres do "modelo Rio de Janeiro").

No dia de ir embora, o sol voltou para se despedir. Quase nos derretemos no carro, presos no engarramento para a Barra. O que só aumentou a alegria de ter o mar aos nossos pés quando, enfim, chegamos.

E se na ida o problema foi da Gol, na volta foi nosso. Levemente perdidos no caminho até o aeroporto (perdidos do tipo: passando quatro vezes pelo mesmo quarteirão), chegamos atrasados. Mas olha como o Brasil é um país legal: os atrasados tem prioridade. E então passamos na frente da fila quilométrica e tudo deu certo. Como sempre dá.

Ótimo voltar ao Rio, depois de seis anos e num contexto muito mais interessante. A vida é isso aí. Horinhas de descuido.
 
Free counter and web stats